
Uma obra sobre a cena alternativa curitibana que dedica um capítulo inteiro ao fundador da Fonoteca — retratando Manoel Neto como a "enciclopédia da cena curitibana", o MUSIN e décadas de agitação cultural independente.
Uma Fina Camada de Gelo, de Eduardo Mercer, é um mergulho na cena do rock autoral curitibano — aquela produção independente, transgressora e periférica que, apesar de nunca ter ganhado os holofotes nacionais, construiu uma escola, uma rede de bandas e uma identidade sonora inconfundível.
A obra percorre décadas de shows, fanzines, gravações independentes, bares fundamentais como o Circus Bar e personagens que fizeram a cena funcionar à margem da indústria. É um registro histórico do underground paranaense em toda a sua riqueza contraditória.
O livro foi viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) — tornando-se, ele mesmo, um exemplo concreto do que a captação de recursos pode produzir: um ativo cultural permanente que registra e legitima a memória sonora do Paraná.
"Para obter informações de Manoel Neto — esta enciclopédia da cena curitibana e da indústria cultural — solicitei uma entrevista e fui prontamente atendido na sede do MUSIN."
Eduardo Mercer — Uma Fina Camada de Gelo, cap. 30
"A música tem capacidade de antecipar ondas estéticas e mudanças sociais."
Manoel Neto, citado por Eduardo Mercer via Jaques Atalli
Capítulo 30
Agitadores Culturais · Uma Fina Camada de Gelo
O capítulo abre com uma confissão do autor: nas três horas de entrevista com Manoel Neto, bastaram três ou quatro perguntas — o resto foi um "fluxo ininterrupto de informação". A descrição já diz tudo sobre o personagem.
Mercer descreve o ativismo de Manoel Neto desde o início dos anos 1990: mais de cem bandas lançadas, participação na elaboração de leis culturais, coordenação de pesquisas histórico-culturais, produção de shows no Circus Bar — e a parceria de décadas com o jornalista Rodrigo Juste Duarte (Digão), com quem distribuiu cinco mil cópias de demos e coletâneas para todo o país.
O capítulo também mergulha no MUSIN — Museu da Música Independente, com seus mais de 50 mil itens guardados numa sala comercial na Galeria Tijucas, e no processo de tombamento do acervo pelo Patrimônio Histórico Estadual.
Leia as 6 páginas
na íntegra
O capítulo completo está disponível em PDF no acervo online da Fonoteca. Pesquisadores, jornalistas e curiosos têm acesso livre.
"O MUSIN recebe em média dez pesquisas por ano, entre estudantes de graduação, mestrandos e jornalistas. Um desses trabalhos resultou, em 2004, em A [des]Construção da música na cultura paranaense, livro que já serviu de base para mais de cem trabalhos — entre livros, teses, artigos e monografias."
O capítulo 30 é um dos registros externos mais completos sobre Manoel Neto como agitador cultural — sua trajetória, método de trabalho, visão de mundo e o papel do MUSIN como precursor direto da Fonoteca.
O próprio livro é um caso concreto de captação pela Lei de Incentivo à Cultura. Viabilizado por patrocínio com dedução fiscal, ele demonstra o modelo que a Fonoteca busca replicar em seus projetos de preservação e difusão.
O capítulo documenta o MUSIN — Museu da Música Independente — como o embrião institucional e filosófico da Fonoteca: mais de 50 mil itens, 12 mil músicas paranaenses, pesquisas anuais, processo de tombamento estadual.
Sediado numa sala comercial no Edifício Tijucas — que também servia de loft —, o MUSIN reuniu CDs, LPs, fitas K7, fotos, filipetas, fanzines, ingressos, cartazes, panfletos e um vasto acervo de autores paranaenses, construído ao longo de décadas pelo esforço quase solitário de Manoel Neto.
O acervo está em processo de tombamento pelo Patrimônio Histórico Estadual e foi listado no Guia Nacional dos Museus — distribuído pelas embaixadas brasileiras em todo o mundo. Como declarou Manoel Neto ao autor: "A gente tá tendo uma visibilidade que não imaginava".
O MUSIN recebia em média dez pesquisas por ano de estudantes de graduação, mestrandos e jornalistas — e foi de uma dessas pesquisas que nasceu, em 2004, A [des]Construção da Música na Cultura Paranaense, a obra fundacional da musicologia paranaense organizada pelo próprio Manoel Neto.
Itens no acervo
CDs, LPs, K7s, fotos, fanzines, filipetas, releases, ingressos, cartazes e panfletos de artistas paranaenses.
Músicas paranaenses catalogadas
Com estimativa de que o triplo existe digitalmente após a web. Em 2004 já eram 7.450 músicas identificadas.
Pesquisas recebidas
Graduandos, mestrandos e jornalistas em média por ano — um dos únicos acervos especializados em música paranaense independente.
Bandas lançadas por Manoel Neto
Desde o início dos anos 1990 — entre álbuns individuais e coletâneas, pelos Correios ou entregues pessoalmente por todo o Brasil.
Uma Fina Camada de Gelo é, além de obra literária, um modelo de captação. Viabilizado pela Lei Rouanet, o livro demonstra que o patrocínio cultural com dedução fiscal pode gerar produtos permanentes — publicações, registros históricos, acervos — que sobrevivem décadas após seu lançamento.
A Fonoteca utiliza este livro como referência concreta quando apresenta sua estratégia de captação para empresas parceiras: o patrocínio cultural não é despesa, é investimento em patrimônio.
O livro é só o começo. A Fonoteca guarda o que veio antes e segue registrando o que ainda está por ser criado.