Fonoteca da Música Paranaense Preservando a memória sonora

A Fonoteca da Música Paranaense é o maior acervo dedicado à preservação, pesquisa e difusão da produção musical do Paraná. Com raízes em 1989, quando o pesquisador Manoel J. de Souza Neto iniciou uma coleta independente de materiais sonoros, a iniciativa cresceu durante décadas até se tornar referência obrigatória para pesquisadores, músicos, jornalistas e instituições de todo o Brasil.

O Paraná foi alvo de um processo de apagamento cultural por mais de 150 anos — e não há como amar o que não se conhece. A Fonoteca nasceu justamente para refazer esses vínculos: guardar o que a mídia ignorava, documentar o que a indústria descartava e devolver ao povo paranaense a sua própria história sonora. Hoje, o acervo está formalizado como associação e seu estatuto garante acesso público irrestrito a pesquisadores, estudantes e à comunidade.

O Acervo em Números Coleção Manoel J. de Souza Neto
400mil
Documentos
Registros escritos, filmados, fichas, matérias, fotografias, releases, cartazes e flyers
40mil
Fonogramas
Obras musicais gravadas desde a década de 1940 por artistas paranaenses
4mil
Discos e CDs
Lançamentos físicos em vinil, CD e outras mídias produzidos por paranaenses
35anos
De pesquisa independente
Construídos exclusivamente com recursos privados, sem apoio público institucional
Nossa História 1989 → 2024
1989
O Início da Pesquisa
O pesquisador Manoel J. de Souza Neto inicia, de forma independente, uma coleta de flyers, fanzines, demotapes, recortes de jornais e discos ligados à música local. Um gesto aparentemente simples que se tornaria o maior arquivo sobre música paranaense já organizado. Paralelamente, a produção de festas com DJs e bandas revelou uma série de fatores históricos e sociais de desvalorização da cena cultural local.
Origem do acervo
TIMELINE 1989
Primeiros materiais coletados, 1989
1995–96
Reconhecimento na Imprensa
O acervo passa a ser reconhecido pela imprensa local. O colunista Dino Almeida, o músico Paulo Hilário e o jornalista Carlão Gaertner promovem dezenas de reportagens sobre o material. Em 1996, o pesquisador dá entrevistas para a Gazeta do Povo e Rock de Inverno. Estreia também o Programa Garage na 96 Rádio Rock, que passa a difundir centenas de bandas locais todas as semanas.
Difusão midiática
TIMELINE 1996
Programa Garage 96, Rádio Rock
1996–02
Coletâneas, Fanzines e Ativismo
São lançadas coletâneas como Borboleta 13, Geração Pedreira e LototoL; o informativo Mais Zine circula entre artistas e jornalistas; o selo Mais Records dá voz a dezenas de bandas paranaenses. Os discos acumulam 9 prêmios Fun (Gazeta do Povo). A cultura underground como atitude política constrói um sistema paralelo de comunicação e memória. Em 1999, o movimento @rromba inaugura uma mobilização mais política da música paranaense.
Produção independente Ativismo cultural
TIMELINE COLETANEAS
Coletâneas e fanzines do período
1997–98
Meia Página no Estadão
A mídia local e nacional passa a reconhecer a "cena curitibana" como fenômeno cultural. Reportagens no O Estado de S. Paulo, Gazeta do Povo, Folha de Londrina e Bonde consolidam a imagem do acervo. Manoel e Digão são definidos como "os principais promotores de novos talentos". A repercussão midiática legitima o campo cultural como espaço de memória.
Impacto nacional
TIMELINE ESTADAO
Matéria meia página no Estadão, 1998
2003–04
Fundação do MUSIN e o Livro de Referência
É fundado o MUSIN – Museu do Som Independente, concebido como museu comunitário e "escola de pensamento" sobre cultura marginal e periférica. No mesmo período, é lançado o livro A [Des]construção da Música na Cultura Paranaense, organizado por Manoel J., reunindo 80 textos de 39 autores em 707 páginas. Torna-se a obra mais citada em trabalhos acadêmicos sobre música paranaense na história do Paraná. O MUSIN é listado no Guia Brasileiro de Museus do Governo Federal (MINC, 2010).
Institucionalização IBRAM
TIMELINE MUSIN
Fundação do MUSIN e lançamento do livro, 2004
2005–12
Ação Nacional e Políticas Culturais
É fundado o Fórum de Música do Paraná. As pesquisas do MUSIN fundamentam a criação da Câmara Setorial de Música e do Plano Nacional Setorial de Música (MinC), do qual Manoel J. foi relator (2010). São lançados os documentários Punks na Cidade e Uma Fina Camada de Gelo. A iniciativa gera a cooperativa Rede Música Paraná e o Observatório da Cultura do Brasil.
Política pública Relatoria MinC
TIMELINE POLITICA
Plano Nacional Setorial de Música, MinC 2010
2018
Criação da Fonoteca da Música Paranaense
O MUSIN se transforma formalmente na Fonoteca da Música Paranaense, institucionalizando o acervo com diretoria, estatuto e missão pública de salvaguarda. O acervo incorpora coleções variadas — de associações de compositores, de samba e rock, até a própria documentação histórica da OMB-PR — e ultrapassa 400 mil documentos.
Fundação formal
TIMELINE FONOTECA
Acervo da Fonoteca da Música Paranaense, 2018
2020–23
Pandemia e Resistência
Durante a Covid-19, o Observatório da Cultura do Brasil, em parceria com o Le Monde Diplomatique Brasil, produz 27 reportagens e um estudo aprofundado sobre as dificuldades dos artistas durante a pandemia. A coordenação das pesquisas sobre a Lei Aldir Blanc no Paraná resulta em publicação especial com 134 páginas, defendendo os direitos de trabalhadores da cultura.
Defesa de direitos
TIMELINE PANDEMIA
Publicação Le Monde Diplomatique Brasil, 2021
2024
Associação Independente e Futuro
A Fonoteca se separa formalmente do Observatório da Cultura do Brasil para ter vida própria como associação com diretoria, CNPJ e estatuto social aprovado. O estatuto garante a socialização radical do acervo, legado ao povo paranaense, disponível para projetos culturais, pesquisas acadêmicas e não-acadêmicas, economia criativa e solidária. Inicia-se a busca por sede própria e parcerias institucionais, incluindo tratativas com a UNESPAR.
Nova fase institucional Legado ao povo
TIMELINE 2024
Ato de doação e formalização da Fonoteca, 2024
Galeria Registros do acervo
GALERIA 1
Discos e mídias do acervo
GALERIA 2
Documentos e fanzines
GALERIA 3
Cartazes e registros históricos
O Pesquisador Coleção Manoel J. de Souza Neto
✳ Fundador do acervo
Manoel J.
de Souza Neto
Pesquisador · Produtor Cultural · Ativista
Manoel J. de Souza Neto, fundador do acervo
Manoel J. de Souza Neto

Em 1989, Manoel J. de Souza Neto começou a guardar o que a mídia ignorava — fanzines, recortes, flyers, demotapes e discos de bandas locais. Esse gesto individual se transformou, ao longo de três décadas e meia, no maior arquivo sobre música paranaense já organizado por uma única iniciativa privada, construído exclusivamente com recursos particulares.

Manoel não apenas arquivava: produzia e articulava a cena. Criou o selo Mais Records, o informativo Mais Zine, o programa Garage 96 Rádio Rock e centenas de shows voltados à cena autoral local. Esses meios se tornaram veículos alternativos à grande mídia e consolidaram uma rede de artistas, produtores e jornalistas que resistia ao apagamento cultural histórico do Paraná.

FUNDADOR ACERVO
Manoel com o acervo — anos 2000
FUNDADOR PROGRAMA
Programa Garage 96 Rádio Rock

"A música é um espelho do tempo e o tempo é o território da memória. Falar da Fonoteca é falar do Paraná que resiste."

Sua pesquisa ganhou escopo nacional: foi relator do Plano Nacional Setorial de Música (MinC, 2010), coordenou estudos sobre a Lei Aldir Blanc para a Ordem dos Músicos do Brasil e fundamentou a criação da Câmara Setorial de Música do Ministério da Cultura. O acervo por ele construído é citado em mais de 200 monografias, teses e dissertações e está presente em currículos de escolas públicas e vestibulares de arte do Paraná.

Em 2024, Manoel doou formalmente a coleção à Associação Fonoteca da Música Paranaense, consolidando a transição de um acervo pessoal para um patrimônio coletivo do povo paranaense.

Impacto e Reconhecimento 35 anos de resultado
+200 Trabalhos Acadêmicos
Monografias, teses e dissertações citam o acervo como fonte primária. Reconhecido no currículo da SEED e no vestibular de arte da FAP/UNESPAR.
Reconhecimento do IBRAM
Listado no Guia Brasileiro de Museus do Instituto Brasileiro de Museus (Governo Federal, MinC, 2010) como referência museológica independente.
Política Pública Nacional
As pesquisas fundamentaram a criação da Câmara Setorial de Música e o Plano Nacional Setorial de Música (MinC). Manoel J. atuou como relator nacional do plano em 2010.
+400 Matérias na Imprensa
Reportagens no Estadão, Gazeta do Povo, Folha de Londrina, Overmundo e centenas de outros veículos nacionais e alternativos ao longo de três décadas.
Produções Audiovisuais
Colaboração nos documentários Punks na Cidade (2008) e Uma Fina Camada de Gelo (2018), exibido em rede nacional de televisão, além de especiais de rádio e podcasts.
Obra de Referência
A [Des]construção da Música na Cultura Paranaense (2004), com 707 páginas e 39 autores, é a obra mais citada em trabalhos acadêmicos sobre música paranaense na história do estado.
Nosso Plano Estratégico 9 diretrizes
01

Acesso à Lei Rouanet e Fomento

Submissão de projetos para digitalização e preservação do acervo musical via parcerias público-privadas, garantindo acesso público e apoio a pesquisas acadêmicas.

02

Parcerias com Universidades

Colaborações com universidades para promover pesquisas sobre a história da música paranaense, com formação de profissionais em gestão de acervos e preservação digital.

03

Ecossistemas Criativos

Transformar a Fonoteca em um hub cultural com exposições, palestras e eventos musicais alinhados à Política Nacional de Economia Criativa.

04

Inovação e Tecnologia

Plataformas digitais para disponibilizar o acervo, explorando streaming e licenciamento. IA e big data para catalogar e criar novas formas de interação e monetização.

05

Diversidade e Identidade Regional

Projetos que destacam a diversidade musical do Paraná com eventos, festivais e publicações, além da internacionalização da música paranaense em feiras globais.

06

Inclusão Produtiva

Cursos e mentorias para músicos e produtores, promovendo a economia solidária por meio de cooperativas incentivadas por políticas de inclusão produtiva.

07

Monitoramento de Impacto

Indicadores de desempenho para mensurar o impacto social, cultural e econômico dos projetos, com transparência e prestação de contas como pilares fundamentais.

08

Editais e Programas

Participação ativa em editais de fomento do Ministério da Cultura e outras instituições para ampliar o alcance e a sustentabilidade do projeto.

09

Integração com Políticas Públicas

Alinhamento com políticas de turismo, educação e desenvolvimento econômico, buscando o reconhecimento do acervo como patrimônio imaterial.

"Com este plano, buscamos construir um futuro onde a música paranaense continue a inspirar e conectar pessoas, atravessando gerações e fronteiras. Contamos com o apoio de toda a sociedade para transformar esta visão em realidade."

Rodrigo G. F. do Amaral

Presidente

41 99911-9814

Conheça nosso Estatuto

Resumo público do estatuto social da Fonoteca da Música Paranaense — Coleção Manoel J. de Souza Neto.